(O seguinte texto é parte de uma atividade de Diário de greve da Moscovich)
24/09
A partir de amanhã, se completara já uma semana que começou a greve, com o fechamento catastrófico do fechamento dos nossos prédios que alias acabou cancelando nossa aula. Se por um lado ache incrível a proposta de uma atividade de matéria que mantenha os alunos mobilizados, especialmente numa faculdade onde a despolitização acaba se mostrando, por outro espero a compreensão de que ironicamente, por ter tocado a greve sem parar desde seu começo, não tive nenhuma possibilidade de tempo para participar dessa atividade até agora, um domingo a noite.
Admito que se antes, existia alguma ideia minha que greve seria uma mini férias, ou vagabundagem, que ela foi completamente suprimida pela realidade do meu cansaço.
Enfim,
fiquei pensando muito sobre o asterisco dessa atividade, de relatar
nossas experiências aos temas e textos da matéria, e tenho dificuldade,
pelo próprio caráter da greve, de ser bem focado na pauta única da
contratação de professores. Obviamente esse tema tem haver com gênero,
tudo tem, mas o próprio andamento das coisas tende a uma sublimação
desse tema. Tenho que tomar cuidado com a maneira de descrevo agora para
não desmobilizar a greve e nem parecer um comunista machista e
lgbtfobico, mas se por um lado é normal que se foque mais na
universalidade pratica da necessidade de contratações, é também em parte
triste pensar que os tempos do ativismo revolucionário lésbico que
vimos no livro da Monique Wittig parece estar cada vez mais distante,
com essa separação entre pautas. O coletivo LGBT+ que eu construo,
Madame Satã, perdeu toda sua força que ia ganhando enquanto os seus
membros focam na excepcionalidade do momento e na sua atuação dentro do
movimento estudantil. Valido em seu contexto imediato, mas triste no
contexto mais geral do que eu vejo de uma perda de radicalidade do ser
gay.
A questão das pautas trans também, que ia sendo construido esse ano, com certeza morreu, e só será retornada bem depois com muita dor de cabeça. Por outro lado, nada adianta vagas trans sem professores para darem aulas a esses alunes.
Enfim, tem outras coisas que posso mencionar, como a transfobia ja foi usada contra mim mais de uma vez em momentos de argumentação política, mas nesse momento adentrar muito nisso me distrairia muito em um momento em que tenho que estar focada na minha atuação. Posso deixar talvez, para uma outra entrada desse diário, eu tentarei escrever mais essa semana, até porque pode ser melhor a minha saúde.
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